IMPACTO DO "ABC COSTING NA GESTÃO DA QUALIDADE
Samuel Cogan - Professor da FEA/UFRJ; autor de do livro Activity Based-Costing (ABC) - A Poderosa Estratégia Empresarial
A última palavra em ferramenta gerencial começa com as primeiras três letras do alfabeto -ABC, iniciais de Activity-Based Costing. Trata-se de uma das mais poderosas estratégias empresariais dos últimos anos, através da qual as companhias cortam desperdícios, melhoram serviços, avaliam iniciativas de qualidade, impulsionam para o melhoramento contínuo e calculam, com adequada precisão, os custos dos produtos.
ABC é uma técnica que acompanha a visão empresarial moderna de processos de negócios, sendo inclusive a única forma de se custear as atividades (que por sua vez representam consumo de recursos, usualmente por parte de pessoas/materiais).
Não são as atividades desempenhadas pelos órgãos funcionais quem garantem a satisfação dos clientes. As atividades realizadas por esses setores, se integram em processos que visam atingir os objetivos desejados pelos clientes de cada processo.
A Gestão da Qualidade Total (TQM) tradicional desenvolve projetos de melhoria da qualidade que se expande por toda organização. Esses projetos são táticos e seus times são desfeitos tão logo os objetivos dos citados projetos sejam atendidos. Contudo, não se pode esquecer que existem, na organização, alguns processos que são críticos para o sucesso da empresa, e para eles torna-se necessário um foco continuado e estratégico -o que é realizado através da Gestão pela Qualidade dos Processos de Negócios.
Considerando-se o processo de compras, por exemplo, vê-se que ele pode incluir previsão de vendas, planejamento de material, controle de inventário, recebimento, inspeção, sistema de informação gerencial e contas a pagar. Esse processo se inicia quando se toma a decisão da compra de uma matéria-prima ou um componente e termina quando a fatura do fornecedor é paga. Entre esses limites, uma série de atividades são executadas, envolvendo indivíduos de muitos departamentos funcionais da organização.
Assumindo que o citado processo de compras é eficaz, o próximo objetivo é o de melhorar a eficiência do mesmo, o que se dará através da obtenção dos mesmos resultados, porém com menores custos. Assim, quanto será que isso custará caso sejam realizadas mudanças no processo, que podem ser incrementais, utilizando-se as técnicas tradicionais de análise e solução de problemas, ou através de mudanças radicais (reengenharia)? E se houver mais de uma alternativa de mudanças, qual delas será a mais eficiente?
Para tanto, torna-se necessário medir o processo atual. Somente depois é que se deve comparar com a previsão de custos das novas alternativas de processos. Mas como isso pode ser feito se quase todas as companhias hoje orçam e apuram seus custos segundo as práticas contábeis tradicionais e elaboram relatórios de despesas que informam os custos gastos pelos departamentos funcionais (compras, controle da produção, controle da qualidade, sistema de informação etc.) mas não por processos. Antes de mais nada, deve-se procurar conhecer os custos dos processos tal como eles se apresentam hoje, se o que se deseja é melhorá-los.
Todos os negócios podem ser desdobrados facilmente em uma série de atividades e tarefas realizadas por um ou mais funcionários. Hoje despesas como telefone, suprimentos, salários, viagens são representadas por cada departamento e na verdade fica-se sem saber quanto dessas despesas seriam devidas às diversas atividades realizadas nos citados departamentos. Somente o custeio baseado-em-atividades (ABC) permite que se calcule o custo de cada processo, pois ele consegue captar todas as despesas que ocorrem na empresa, por atividades.
Outra técnica, a análise de valor do processo, permite que se elimine as atividades que não agregam valor nem para o cliente nem para o negócio da empresa. E, para as atividades que agregam valor assim remanescentes, pode-se, através da conjugação dessa técnica com a do ABC, questionar as atividades existentes procurando substituí-las por outras com menor custo.
Outra importante participação do ABC na qualidade se desenvolve na correta determinação dos custos da qualidade/má qualidade através da obtenção, com maior precisão, dos custos de prevenção, avaliação, falhas internas e externas que compõem os custos da qualidade/má qualidade, e que era de difícil mensuração com as práticas tradicionais de custeio.
Fonte de pesquisa:
http://www.techoje.com.br/