CUSTO DE PRODUÇÃO
(história, teoria e & conceitos)
AUTOR: JOSÉ GERALDO MATTOS
A contabilidade de custos surgiu junto com a revolução industrial, como tentativa de se elaborar um inventário disponível em um determinado período operacional, onde procurava-se identificar o valor dos produtos fabricados e vendidos. Todavia naquela época as empresas apresentavam processos de produção muito semelhantes aos processos artesanais, e compunham sua matriz de custos basicamente com matérias primas e mão-de-obra, que eram sem dúvida os mais relevantes.
Com o desenvolvimento, e o emprego cada vez mais intensivo das máquinas no processo de produção, os novos custos apareceram tornando-se bem mais complexos os métodos para medi-los. A complexidade destes métodos contábeis, capazes de solucionar cada vez com mais rapidez os custos de fabricação, foi que deu origem a contabilidade de custos.
Desde a Revolução Industrial, a contabilidade de custos sofreu uma evolução considerável, devido a necessidade de realinhamento de seus objetivos e à expansão do campo de atuação.
À partir da I ª Guerra Mundial, com o incremento do processo produtivo, e conseqüente aumento da concorrência entre empresas e a escassez de recursos, surgiu a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de planejamento e controle das empresas. Neste sentido as informações de custos, desde que devidamente apresentadas em relatórios, seriam um grande subsídio para o controle e planejamento empresarial. Diante de tal fato, a contabilidade de custos tornou-se, devido a grande gama de informações que a compõem, um grande sistema de informações gerenciais.
Aliado ao desenvolvimento experimentado pela contabilidade de custos nas empresas nas quais teve origem, ou seja, nas empresas de setor secundário, foi possível criar sistemas perfeitamente adaptáveis ao setor terciário (escolas, bancos, hospitais, empresas de ônibus, etc).
É importante ressaltar a colaboração dada pelos sistemas de processamento eletrônico de dados à contabilidade de custos, pois estes permitiram fazer apurações com uma velocidade altíssima e sem margem de erro, aumentando a confiabilidade dos resultados obtidos.
Pode-se definir uma classificação para os objetivos da contabilidade de custos:
- Determinar o valor inicial e final de matéria-prima em estoque;
- Determinar o valor final dos produtos terminados e em processamento;
- Elaborar demonstrativos do custo de produção de cada produto fabricado;
- Elaborar demonstrativos do custo dos produtos vendidos;
- Elaborar demonstrativos de lucros e prejuízos.
- Analisar o comportamento dos custos (análise vertical e horizontal);
- Preparar orçamentos com base no custo de fabricação;
- Determinar o custo padrão de fabricação;
- Determinar as responsabilidades dentro do processo de produção;
- Determinar o preço de venda de cada item de produção;
- Determinar o volume da produção (além do ponto de equilíbrio, porém
dentro da capacidade física da empresa).
- Formar preço de venda;
- Eliminar, criar, aumentar ou diminuir a linha de produção de certos produtos;
- Produzir ou adquirir no mercado;
- Aceitar ou rejeitar encomendas;
- Alugar ou comprar.
Após analisar vários autores não existe um conceito universalmente aceito para a palavra custo. Existem por sua vez, uma infinidade de discordâncias sobre o assunto. Porém, mesmo existindo estas divergências, é necessário citar alguns conceitos para fins operacionais.
Custo: É o valor de bens e serviços e serviços consumidos na produção de outros bens ou serviços. Exemplo: O custo com antibióticos utilizados para dar alta a um paciente com pneumonia.
Despesa: É o valor dos bens ou serviços não relacionados diretamente com a produção de outros bens ou serviços consumidos em um determinado período. Exemplo: Despesas com o frete de equipamentos biomédicos para manutenção.
Gasto: É o valor dos bens ou serviços adquiridos pela Hospital. Exemplo: O valor da aquisição de uma licitação de fios cirúrgicos.
Desembolso: É o pagamento resultante das aquisições dos bens e serviços pelo hospital. Exemplo: Pagamento de aquisição de um lote de bolsas hemoterápicas.
Perda: É o valor dos bens ou serviços consumidos de forma anormal e involuntária. Exemplo: Danos provocados por sinistros.
Desperdício: É o consumo intencional, que por alguma razão não foi direcionado à produção de um bem ou serviço. Exemplo: Violar pacotes esterilizados e não utilizar todo o seu conteúdo.
É importante ressaltar ainda, que um determinado bem em certo instante pode perfeitamente ser classificado em um determinado conceito e com o desenvolver do processo produtivo poderá mudar de categoria, ou mesmo estar incluído em mais de uma categoria.
Para melhorar o seu entendimento, os custos foram aglutinados em seis grupos:
A) Quanto ao seu objeto: Quando relacionados com o tipo de atividade do hospital ou centro de custo, classificam-se em:
Aplicáveis: São custos que ocorrem durante a produção de bens ou serviços relacionados com a atividade fim do hospital ou serviço etc.. Exemplo: O custo com o oxigênio em uma unidade de internação.
Inaplicáveis: São custos que não estão relacionados diretamente com a produção de um bem ou serviço hospitalar pertencente a atividade fim do hospital ou serviço. Exemplo o empréstimo de uma sala cirúrgica para outra unidade hospitalar da rede.
B) Quanto ao grau de detalhamento: este grupo está relacionado com o volume de produção.
Custo unitário: Custo de produção de um único produto ou serviço, obtido através da metodologia do custo por ordem de produção. Este método parte da aglutinação dos custos unitários para os custos totais de produção. Exemplo: Reforma de uma unidade de internação.
Custo médio unitário: Custo de produção de um único produto ou serviço, obtido através do custo total de produção de "n" produtos dividido pela quantidade destes produtos em determinado período. O sentido da aglutinação neste caso parte do custo total para o unitário. Exemplo: Custo de um hemograma junto ao laboratório de patologia clínica.
Custo total : É o custo para produzir "n" produtos ou serviços em hospital, serviço etc..
C) Quanto ao relacionamento com o nível de atividade: Estes custos relacionam-se com o nível de atividade produtiva, podendo ser classificado como:
Custos fixos: São aqueles que com a estrutura de produção constante, não variam com a quantidade produzida. Exemplo: Energia elétrica gasta com a iluminação em laboratório de análises.
Custos variáveis: Seu montante, no período em estudo, varia diretamente proporcional a quantidade produzida. Exemplo: Filme radiológicos e o número de exames realizados no serviço de radiologia.
Custos misto escalonado: Sua variação é direta ao nível de atividade, porém não proporcional. Exemplo: Custo de supervisão, para cada 10 pacientes internados, necessita-se de mais cinco auxiliares de enfermagem e para cada 5 novos auxiliares, necessita-se de uma nova enfermeira supervisora para a equipe.
Custo misto composto: Estes custos possuem parte fixa e parte variável. Uma varia diretamente proporcional à quantidade produzida e a outra mantém-se constante a qualquer nível de atividade. Exemplo: A parcela de energia elétrica utilizada na iluminação e nos equipamentos do serviço do Laboratório de Patologia Clínica.
D) Ao elemento: Neste caso, o custo é classificado por espécie (pessoal e encargos sociais, material de consumo e serviços de terceiros, etc..) Isto facilita a sua alocação ao sistema de apuração de custos e um controle isolado de cada categoria de custo (análise de tendência e de estrutura).
E) À incidência: Esta classificação está relacionada coma incidência de cada espécie de custo ao processo produtivo:
Diretos ao Produto: São aplicados diretamente ao produto. Exemplo: Se tomarmos como referência a alta hospitalar, são custos diretos os medicamentos, as próteses, os salários e os encargos sociais do corpo clínico.
Indiretos ao produto: São os custos aplicados indiretamente ao produto. Podem em alguns casos, até incidir diretamente, porém apresentam dificuldade para controle individualizado, tendo-se que utilizar bases de rateio para sua alocação ao produto.
F) Ao momento do cálculo: Esta classificação está relacionada com a localização com os custos no tempo. Classificam-se em:
Custos históricos: São custos já realizados. Seu cálculo serve para medir o desempenho empresarial.
Custos futuros ou pré-determinados: São os custos calculados pelo método FEPS objetivando o planejamento empresarial.