AVALIAÇÃO DOS CUSTOS VARIÁVEIS E DE SUA CORRESPONDÊNCIA COM A POPULAÇÃO ATENDIDA
NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - HU/UFSC
Autora: Patrícia Ronch
rochipatricia@yahoo.com.br Coorientador: geraldomattos@hotmail.comObjetivo Geral
Avaliar a correlação entre os custos variáveis e os níveis de produção hospitalar do HU/UFSC.
Objetivo A
Este objetivo é alcançado através da compilação bibliográfica atualizada da teoria econômica que diz respeito à problemática estudada.
Objetivo B
Este objetivo requer o levantamento e a descrição detalhada da estrutura e do funcionamento dos sistemas em estudo (SAC e SAM). As referidas informações estão disponíveis nos setores competentes e não há restrição alguma quanto ao seu levantamento e análise.
Objetivo C
A correspondência estatística entre os diferentes sistemas envolvidos é quantificada através da realização de análises de correlação linear e não-linear, inclusive com a utilização de variáveis defasadas.
Definição das variáveis e do período da análise
Os insumos variáveis selecionados para o presente estudo, de acordo com a classificação utilizada pelo SAC – Sistema de Apuração de Custos, são: almoxarifado, medicamentos, produção própria, gás GLP, combustível, óleo BPF, e gases medicinais. Todas estas variáveis foram mensuradas através da quantidade consumida em R$ 1,00.
Para medir a produção dos serviços hospitalares foram definidas variáveis capazes de mensurar a atividade-fim hospitalar, a qual como se sabe alavanca a demanda por insumos. Estas variáveis são: consultas de ambulatório, atendimento de emergência e pacientes-dia, as quais agregadas constituem a variável população atendida.
O período escolhido para a análise é de maio de 1999 a junho de 2002, devido à pronta disponibilidade dos dados, junto ao SAC
.A primeira hipótese testada foi a da existência de correlação linear entre as variáveis de produção hospitalar (desagregadas e agregadas) e os insumos variáveis. Os resultados destas análises contidos nos anexos 1 e 2, respectivamente, evidenciam correlações inexpressivas.
Por isso, passou-se a investigar se haveria alguma defasagem nos dados de consumo dos insumos variáveis junto ao SAM. Para isso, repetiu-se a análise de correlação linear, porém, entre as variáveis insumos e a população atendida, agora defasada de 1, 2 e 3 meses (Anexos 3, 4 e 5, respectivamente). Com esta análise defasada procurou-se detectar se aumentos ou diminuições na variável população atendida estavam associados à correspondentes variações nos insumos em períodos posteriores (ou vice-versa). Novamente, os coeficientes de correlação foram muito baixos, não se evidenciando, portanto, a ocorrência de defasagens.
Levando em conta que a estrutura de produção de serviços do HU/UFSC opera através de um sistema de distribuição de insumos variáveis por cotas, aglutinou-se todas as variáveis por períodos de seis meses. A análise de correlação com estes dados, porém, continuou a apresentar correlações nada importantes (Anexo 6).
Todas as hipóteses testadas até aqui foram repetidas com as variáveis expressadas em logarítmos, mediante a suposição de que a relação entre elas tivesse uma estrutura não-linear, tipo log-log ou geométrica. Os resultados, no entanto, continuaram insatisfatórios (vide anexos 1’ a 6’).
A inexpressiva correlação verificada em todas as hipóteses testadas, pode ser explicada pela política de distribuição de materiais aos centros de custos adotada pelo Serviço de Administração de Materiais do HU/UFSC. A referida distribuição não se dá em função do aumento da produção dos serviços e sim por cotas pré-estabelecidas, baseadas no consumo médio mensal de períodos anteriores, ou em padrões de consumo estabelecidos pela área de controle e planejamento do SAM em conjunto com o setor de enfermagem. Assim sendo, o incremento que ocorre na população atendida, pode levar alguns meses ou mesmo anos para que se reflita em efetivo aumento das cotas mensais de insumos destinadas à produção dos serviços.
Da mesma forma, o decréscimo na produção de serviços também não é levada em conta pela área de controle e planejamento do SAM. As sobras de materiais são armazenadas nos almoxarifados dos centros de custos e consumidas ao longo de meses. Este procedimento, no caso de aumento da produção, pode gerar decréscimo no nível de qualidade das atividades desenvolvidas, devido ao uso de materiais em estoque já há um bom tempo, mas ainda dentro do prazo de validade.
O ajustamento destas ocorrências tem sido feito através do adiantamento de cotas referentes a períodos futuros ou através de compras emergenciais, no caso de aumentos expressivos na produção. No caso de redução nos serviços, não é tomada nenhuma providência e a sobra de materiais nos almoxarifados só compromete ainda mais os já apertados recursos destinados à área de custeio.
Diante desta situação, avaliou-se também a correlação das variáveis agregadas em períodos semestrais. Mesmo assim, as correlações continuaram muito baixas, indicando que as cotas não foram revistas nos semestres analisados e que a periodicidade de revisão, se é que existe, deve ser superior a seis meses.
Outro aspecto importante é que o Serviço de Farmácia vem aplicando um sistema de distribuição denominado "Dose Individualizada", pelo qual a entrega de medicamentos é feita diariamente, segundo a prescrição médica e o número de pacientes internados. Esta metodologia apesar de ser aplicada apenas aos Centros de Custos voltados para a internação hospitalar e de necessitar de ajustes, é com certeza uma evolução no controle e planejamento da área de administração de materiais. Assim, é bem provável que decorra da aplicação da metodologia da "Dose Individualizada", junto ao Serviço de Farmácia do HU/UFSC, a correlação de 0,217 entre medicamentos e população atendida, a qual relativamente às demais é bem representativa.
Os resultados alcançados neste estudo evidenciam que o SAM/HU/UFSC poderia melhorar bastante os seus sistemas de controle e planejamento, ajustando o consumo à produção dos serviços. Com isso diminuiriam sensivelmente os custos de produção, pois as perdas e os desvios seriam bem menores, bem como cairia o custo de armazenagem.
Todas estas novas informações alimentariam de maneira mais rápida o SAC, que calcularia um custo muito mais próximo do real, garantindo a tomada de decisões corretas e eliminando custos desnecessários sempre que o processo de produção apresentasse resultados não esperados. Isso traria maior eficiência e qualidade aos serviços realizados. O SAM/HU/UFSC possui capacidade para isto, pois dispõe de ótimos softwares e equipamentos, além de uma equipe bem preparada.
Outro aspecto a considerar é que o SAM/HU/UFSC não utiliza as informações do relatório de custos quanto à produção (atendimentos das unidades). Se o utilizasse, poderia "monitorar" a necessidade de revisão das cotas.
Por fim, para explicar melhor as baixas correlações encontradas, sugere-se a realização de outros trabalhos em que os seguintes tópicos seriam aprofundados:
Preços - Verificar detalhadamente as variações nos preços de alguns insumos variáveis, junto aos fornecedores. Sabe-se que em alguns segmentos que fornecem insumos variáveis, os preços oscilam muito devido à concorrência e também por interferência do governo, como no caso do setor de medicamentos, por exemplo.
Desperdícios – Investigar a ocorrência de desperdícios e mau gerenciamento dos insumos variáveis durante o processo de produção de serviços hospitalares. Existem sub-almoxarifados? Se existem, quais níveis de estoque mantêm? Como são reutilizadas as sobras? Existe controle de estoque para os itens armazenados nas unidades? Sabe-se que, de uma maneira geral, na área hospitalar, é significativo o direcionamento incorreto no uso de insumos variáveis no processo de produção de serviços.
Má utilização do SAM - Mesmo sabendo que o SAM/HU/UFSC conta com uma equipe bem treinada e preparada para exercer suas funções, seria recomendável avaliar se os valores lançados mensalmente a título de consumo de insumos variáveis são realmente os consumos do mês em questão. Devido a atrasos nos lançamentos, por algum motivo, dentro do processo de trabalho, estes valores podem estar sendo digitados em períodos posteriores, comprometendo ainda mais a ocorrência da necessária correspondência entre a população atendida e os insumos variáveis utilizados na produção dos serviços hospitalares.
Gestão de Materiais – Propor políticas que utilizassem um novo modelo de gestão de materiais – Just In Time e Kamban.
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