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ASPECTOS PRÁTICOS NA OBSERVAÇÃO SOLAR |
Existem duas maneiras para observar o sol, diretamente ou por projeção como já vimos nos tópicos anteriores. A primeira só e possível se realizada com a luz natural, ou seja sem a utilização de equipamentos de observação . Usando-se neste caso as famosas radiografias ou filmes velados que protegem os olhos e permitem uma imagem satisfatória do astro. Porém a nível de astronomia amadora a utilização de equipamentos mais precisos são indispensáveis, para que os dados coletados possam ter valor científicos.
Este tópico pretende repassar ao internauta os passos detalhados para uma perfeita observação solar, o observador que seguir a metodologia apresentada, necessitará apenas, de um pouco de treinamento prático para alcançar os seus objetivos.
EQUIPAMENTO - O observador terá que dispor de um telescópio com no mínimo 60 mm de diâmetro da objetiva se refrator, ou do espelho principal, no caso de refletor. Não existem vantagens dos refletores sobre os refratores ou vice-versa, o importante, se houver possibilidade de escolha, é optar por uma boa abertura e se possível por uma montagem equatorial. Se existe uma paridade no que tange a qualidade da imagem a ser projetada, o mesmo não acontece quando se compara o posicionamento da ocular e o conforto do observador. Os refratores e os refletores Schimt-Cassigreem são mais comodos pois o observador trabalha sentado, e seus desenhos, em virtude de planilha estar fixa, podem ser confeccionados em escala.
PRANCHETA PARA SUPORTE DA PLANILHA - Além do telescópio, o observador necessitará adquirir ou confeccionar alguns outros acessórios que lhe ajudarão nas observações, entre eles temos a prancheta, na qual será fixada a planilha de observação.
TRIPÉ PARA SUPORTE DA PRANCHETA DA PLANILHA - Este acessório dará suporte a prancheta onde ficará afixada a planilha de anotações. Geralmente adapta-se um tripé de máquina fotográfica, que possui articulação horizontal e vertical, isto facilita muito o manuseio, pois nem sempre pode-se observar o Sol na mesma altitude. Trabalhando-se com a planilha bem afixada, é possível fazer desenhos com mais segurança, e em escala.
OCULARES - A distância focal das oculares a serem utilizadas dependerá das características do telescópio, ou seja da sua distância focal do espelho ou objetiva. Porém há necessidade de se trabalhar com dois aumentos diferentes de oculares, o aumento menor deve projetar o disco solar como um todo na planilha, a com aumento maior deverá mostrar em clouse as manchas solares facilitando a sua contagem.
Exemplo: Para um equipamento que possui uma distância focal de aproximadamente 800 mm , pode-se utilizar com uma ocular de 20 mm de distância focal, para marcar o limbo e os grupos de manchas, e uma outra de 4 mm de distância focal para observação das manchas.
É bom lembrar que o aumento é inversamente proporcional a quantidade de luz que passa pela ocular diminuindo a qualidade da imagem.
PLANILHA - A planilha de observação serve como anteparo para projeção da luz oriunda da ocular.
O observador neste momento deve fazer os desenhos em escala , procurando reproduzir fielmente a superfície solar observada. para que não ocorra imprevistos durante as anotações, sugere-se que esta seja confeccionada em papel branco e liso. É de um boa planilha e dos dados nela contidos que terá sucesso o trabalho de observação, portanto a planilha deverá conter algumas informações básicas que serão relacionadas a seguir.
- Nome do observador
- Local da observação, Latitude, Longitude e Altitude
- Características do equipamento
- Data da observação
- Horário de início e término da observação
Recomenda-se anotar além da hora os minutos e segundos, já convertidos em tempo universal. Para transformar o horário em tempo universal de sua cidade voce poderá proceder da seguinte forma. entrar em contato com a Rádio Relógio do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, Através do telefone (021) 580.6037 e adicionar mais três horas ( para a hora oficial de Brasília ), não se esqueça de fazer os ajustes durante o horários de verão.
- Número de aumentos utilizados
Isto pode ser facilmente calculado dividindo-se a dist6ancia focal do equipamento pela distância focal da ocular utilizada.
- O Método utilizado
O observador deverá indicar se a abstração foi realizada somente por um método, ou se houve combinação deles.
- O Diâmetro do disco solar projetado
Deve ser mencionado em milímetros, o diâmetro da fotosfera projetada, e o número dos aumentos utilizados.
- O número de grupos e manchas
Outras informações podem compor a planilha tais como, número de ordem, informações climáticas e espaço para comentários, ficando a critério de cada observador incluir os dados que julgar necessário. Clicando em você poderá visualisar um exemplo de planilha, a mesma vem sendo aplicada no "Projeto de Acompanhamento do Número de Wolf, como Indicador da Atividade Solar", desenvolvido pelo Grupo de Estudos de Astronomia.
FILTRO SOLAR - Geralmente é utilizado na buscadora para colocar o Sol no centro da objetiva do telescópio, procedendo desta forma torna-se cômodo e seguro focalizar o Sol.
ANTEPARO - A utilização de anteparos que escurecem o ambiente de projeção, apresentam resultados surpreendentes. Principalmente quando trabalha-se com uma ocular de grande aumento, a luz que transpassa a ocular torna-se mais tênue, e os objetos focados perdem definição. O anteparo, de preferência de cor escura, compensa esta perda de luz, facilitando a observação da mancha ampliada. Este anteparo pode ser um pano ou toalha, porém recomenda-se a sua utilização somente em telescópios refratores e refletores Schimdt- Cassigren, devido ao posicionamento da ocular.
PERÍODOS PARA OBSERVAÇÃO - Recomenda-se realizar as observações sempre no mesmo horário, e preferencialmente no meio da manhã ou da tarde, com isto evita-se o calor, as condensações atmosféricas próximas ao horizontes e contorna-se as deficiências dos telescópios que possuem montagem azimutal. Em latitudes mais ao sul ou mais ao norte este é possível observar todo o dia durante a estação do inverno. Outro fato importante que vale ressaltar, refere-se ao número de observações ao longo de um período. Como vimos no tópico "Uma Estrela Chamada Sol ", o tempo médio de rotação do Sol em torno de seu eixo é de 25,38 dias, portanto sugere-se no mínimo 4 observações a cada período de rotação solar.
COMO OBSERVAR COM UM REFRATOR - A observação com refratores e refletores Schimdt - Cassegrain seguem os mesmos passos, devido ao posicionamento de suas oculares. Suponha-se que esteja utilizando um equipamento com as seguintes características: D=60 mm e F=900 mm MONTAGEM: Azimutal, deve-se seguir os seguintes passos
1 - Colocar o filtro solar a frente da mira ( buscadora ). Marque a hora do início da observação.
2 - Colocar o Sol no campo telescópico.
3 - Colocar a ocular de pequeno aumento no receptáculo
4 - Posicionar o tripé, prancheta e planilha a uma distância aproximada de 15cm da ocular.
5 - Regular a altura do tripé ( o da prancheta ou do telescópio) até que o diâmetro da fotosfera alcance aproximadamente 90 cm.
6 - Marcar o limbo solar no mínimo em seis pontos.
7 - Proceder a marcação dos grupos, mantendo a escala das distâncias.
8 - Conectar o ocular de grande aumento.
9 - Colocar o anteparo, escurecendo o local de projeção.
10 - Proceder o desenho das manchas.
11 - Anotar o horário do final da observação.
No início de uma observação leva aproximadamente 30 minutos, porém com a prática, 05 minutos são suficientes para fazer uma completa observação. Para que as observações fiquem sempre dentro de um determinado padrão sugere-se:
A - Só observe sob boa visibilidade.
B - Procure dedicar as observações sempre o mesmo tempo.
C - Não perca tempo procurando novas manchas ou grupos em regiões de latitudes superior a 45 graus, procure-as na região limbo/equatorial.
COMO OBSERVAR EM UM REFLETOR - Os refletores comuns ( newtonianos ) possuem um inconveniente, o de observar em uma posição um pouco incomoda. Alguns astrônomos amadores para contornarem este problema, refletem a luz da ocular sobre um anteparo branco, afixado na parte superior do refletor, este artifício aumenta a comodidade e a precisão dos desenhos. Outro fator que o deixa em desvantagem é a colocação do anteparo que se torna muito complicado. Recomenda-se para os usuários deste tipo de equipamento utilizar planilhas móveis, ou seja, não fixas a tripés, que não permite a confecção de desenhos em escala. Se voce quizer mai detalhes de como observar com um telescópio refletor entre em contato com Avelino Alcebiades Alves.
COMO CALCULAR E ARMAZENAR DADOS - As informações contidas na planilha devem ser trabalhadas logo após a observação externa, isto porque neste momento ainda guarda-se detalhes da imagem observada, que podem auxiliar na confecção de detelhes do desenho. Com um compasso e régua, calcula-se o centro aproximado da fotosfera, com o compasso no centro traça-se uma circunferência unindo os pontos marcados para o limbo solar. Neste momento pode-se retocar o desenho, acrescentando detalhes da umbra e penumbra, equador solar, fáculas, etc... Os cálculos do número wolf quando realizados manualmente devem ser realizados neste momento, bem como uma revisão do preenchimento dos campos da planilha. Deve-se armazenar os dados diários em uma segunda planilha, isto facilita o manuseio dos dados evitando que as planilhas originais sejam danificadas.
Caso se disponha de um micro computador, com softwares para cálculos matemáticos, do tipo Microsof Exel ou similar, recomenda-se a sua utilização devido a grande massa de dados a ser trabalhada.
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