2026

Sueli Souza Sepetiba

Fontes:
Alfredo Martins – GEA
Angela Tresinari – GEA
O Céu de Brasilício – Ângela Bastos, Reportagem, 2016
O Sábio e o Idioma – Abelardo de Souza, IOESC, 2002
NEOA-JBS – Alexandre Amorim, IFSC, Florianópolis

( https://www.geocities.ws/costeira1/neoa/ )

Sueli Souza Sepetiba, associada ao Grupo de Estudos de Astronomia Nº 170, conviveu com o GEA tal qual representou o Cometa Halley: importante, fonte de inspiração e inesquecível. Nascida no luminoso dia 10 de dezembro de 1944 – Blumenau / SC, cresceu instigada pela beleza dos céus das estações através do encanto de seu pai, Abelardo Souza.

Eles comparavam o céu da realidade com as cartas celeste mensais de A. Seixas Neto publicadas no jornal “O Estado”. E, muito mais importante, comparavam estas observações com anotações de seu bisavô – José Brasilício de Souza – um verdadeiro sábio, amante da astronomia que observava, estudava, anotava, publicava (Lições de Cosmologia, Desterro, 1890) e se correspondia com astrônomos locais (Antônio Mâncio da Costa etc.) e internacionais (Camille Flammarion, Secretário Geral da Sociedade Astronômica da França). Os registros de Brasilício foram realizados na antiga Desterro, ao final do Século XIX, e incluem as Constelações, Estudos Selenográficos e Planetas do Sistema Solar. Uma de suas mais importantes observações foi o “Trânsito do Planeta Vênus em 6 de Dezembro de 1882”, desde sua residência na atual Ruas Bento Gonçalves, altos da Felipe Schmidt. Este raro evento de alinhamento orbital – Terra, Vênus, Sol – acontece em padrão que se repete a cada 243 anos, ocorrendo em pares separados por exatamente 8 anos, sendo os próximos em 2117 e 2125. Ao telescópio e com filtros de proteção à luz solar, um pequeno disco negro, Vênus, transita visivelmente em frente ao disco solar em aproximadamente 6 horas. O GEA, entusiasmado com este conhecimento, repetiu o feito de Brasilício em 08 de junho de 2004, desde o alto do Morro da Cruz, centro de Florianópolis. Foi uma madrugada / manhã magnífica com participação da imprensa, utilização de diversos meios de observação e grande emoção de todos os presentes ao evento histórico que definitivamente uniu o GEA ao legado de Brasilício e sua bisneta Sueli.

É imperioso registrar as fundamentais qualidades e peculiaridades de Sueli: sempre transmitindo serenidade, simpatia, alegria, confiança, com seu passado vivo e energia para novas criações. Cercada por sua distinta família – o estimado esposo Togo e os amáveis filhos Theo e Thais que viveram tempos felizes no Ribeirão da Ilha. Ela desenvolveu inúmeras aptidões que vamos lembrar de algumas:

– À música, ao piano de seu pai e ao violino;

– Cuidados e preservação da natureza;

– Evoluir nos conhecimentos de astronomia estando em contato com entidades de divulgação desta ciência culminando com sua participação na fundação do “Grupo Brasilício” que culminou no NEOA-JBS, juntamente com Angelita Pereira, Togo Sepetiba, Prof. Marcos Neves e Alexandre Amorim;

– Divulgação dos registros e estudos de Brasilício que foram publicados no esplêndido livro “O Sábio e o Idioma”, de autoria de seu pai Abelardo Souza, porém, com decisiva participação de Sueli na sua revisão editorial;

– Em suas participações nos “Simpósios Catarinense de Astronomia – CAS”, foi entusiasta da criação do Prêmio Brasilício, para homenagear a cada edição do CAS alguém que tenha contribuído na área de pesquisa, ensino ou divulgação da astronomia em Santa Catarina.

Destacamos quatro eventos de memoráveis convivência do GEA com Sueli Sousa Sepetiba:

– O GEA teve uma noite superespecial no Planetário UFSC quando Sueli apresentou e nos presenteou com o livro de autoria de seu pai, Abelardo Souza, sobre a vida e obra de José Brasilício de Souza, intitulado ”O Sábio e o Idioma”. Um registro histórico e maravilhoso da dedicação de seu bisavô à música, linguística, magistério e astronomia.

– Igualmente agradabilíssimos foram os convites para celebração de seu aniversário de 60 anos em 2004 e outro para degustação de deliciosa sopa de capeletti preparada por Theo numa fria noite de inverno, recepcionados que fomos com toda cortesia por Togo e excelentes músicas executadas por Sueli e Thaisa.

– Em outro momento histórico de nossa convivência, acompanhamos Sueli e Togo na merecida homenagem realizada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, na Comemoração do Centenário de Falecimento de José Brasilício de Souza, seu bisavô, cujo grande legado ao nosso Estado foi consistentemente declarado. Esta cerimônia ocorrida na sua sede em 14 de abril de 2010, foi aberta por seu Presidente Carlos Humberto Corrêa, passando os trabalhos para o Professor Osvaldo F. de Melo que comentou os aspectos humanísticos de Brasilício, seguido por maestro Alberto Heller e Angelita Pereira, que comentaram sobre sua música e seus estudos astronômicos, respectivamente.

– Sueli representava a sua descendência de Brasilício – Álvaro e Abelardo Souza. Igualmente presentes e destacados, a família dos bisnetos Heitor Germano, Júlia Maria, Zilda Maria e Teodoro Carlos que representaram suas descendências de Brasilício – Clara Rosaleta (Catita) e Dilza Souza Dücker. Nesta grande celebração, os convidados foram dirigidos ao Palácio Cruz e Souza para conhecer o ainda muito bem conservado piano original em que José Brasilício de Souza compôs a música do hino de Santa Catarina. Compareceram ao evento representando o GEA, além da associada Angelita Pereira, o presidente Adolfo Stotz Neto, Alfredo Martins e Altair Wagner.

Todas estas “convivências” têm o lastro forte de José Brasilício de Souza. Vamos recuperar uma excelente pesquisa e reportagem de ÂNGELA BASTOS, em agosto de 2016:

O CÉU DE BRASILÍCIO

Astrônomo, professor e músico – conheça o homem que viveu em Nossa Senhora do Desterro na virada do século 19 para o 20 e deixou um legado de conhecimento e história que cintila até hoje no Brasil e no mundo.

ENTRE ESTRELAS, LIVROS E PARTITURAS

Na antiga Nossa Senhora do Desterro viveu José Brazilício de Souza. Um homem multifacetado para a época, testemunha da virada do século das ciências, o 19, para das descobertas, o 20. Para conhecê-lo é preciso revisitar o astrônomo, recantar o músico e reencontrar o professor. Impõe-se observar céus, desempoeirar bibliotecas, acessar manuscritos. Exige descortinar a velha cidade, na qual vivia a elite branca e orbitavam os ideais abolicionistas; requer visitar o território protegido pelo cais onde acostavam embarcações; demanda contemplar a cidade de hoje, em que a poluição luminosa cega as mesmas observações astronômicas feitas no passado. Brazilício foi membro da irmandade das estrelas. Também da confraria das notas musicais. Autor da música do Hino do Estado de Santa Catarina, composição pela qual é lembrado. Ora sobrepunha o olho ao ouvido, ora o ouvido ao olho. Movia-se à sombra da nuvem que se escondia, à luz solar que iluminava as ladeiras, às páginas do livro que abria. Ensinou sobre eclipses e cartas náuticas, piano e violino, meridianos e pontos cardeais. Mantinha os pés no chão de Desterro e olhos no firmamento. Fazia correlações entre o cosmo divino e o homem terreno. Vivenciava uma mística sem um Deus, o qual reconhecia, mas a quem supostamente não recorria. Autodidata, aluno, mestre. Discreto, simples, eclético. Assim foi o tempo de Brasilício (1852-1910). Viveu pouco mais de meio século de vida. Nem tanto tempo na contagem dos anos. Intensamente na velocidade da luz. Assim foi o céu de Brazilício.

Obituário de Sueli Souza Sepetiba

Em 6 de junho de 2025, em Florianópolis, Sueli deixou saudades por enfermidade terminal. Incontáveis admiradores de sua carinhosa pessoa e fecundas atividades ficaram consternados e lhe prestaram homenagens. A desolação familiar e social com certeza foi superada por todo grande significado de sua grandiosa existência. E o céu é a testemunha perene de sua radiante ligação com os mais altos sentidos da vida.

Um dos preciosos tributos de admiração por Sueli está registrado na publicação da Edição Especial de Junho de 2025 do “Observe!”, Boletim Informativo do NEOA-JBS, em Editorial de Alexandre Amorim, seu maior companheiro de viagens entre astros. Com sua gentil autorização, repostamos a real narrativa de seu legado. Veja abaixo:

MEMÓRIA VISUAL

Acervos de Alfredo Martins, Angela Tresinari e IHGSC

MEMÓRIA VISUAL I

FAMÍLIA SOUZA SEPETIBA E O GEA

MEMÓRIA VISUAL II

ANIVERSÁRIO DE 60 ANOS DE SUELI SOUZA SEPETIBA

MEMÓRIA VISUAL III

JOSÉ BRASILÍCIO DE SOUZA